Durma!

Em Outliers, Malcolm Gladwell explica a teoria das 10.000 horas de Anders Ericsson, segundo a qual a pessoa se torna fora-de-série naquilo que faz depois de praticar sua arte durante este longo período de tempo. O estudo de Ericsson baseou-se no perfil de violinistas, identificando os verdadeiramente diferenciados entre os que ensaiavam exaustivamente.

Mas uma faceta menos badalada entre os top performers era que eles dormiam mais do que os outros – entre 8,5 e 9,0 horas por noite, além de meia hora de sesta durante o dia. É fácil imaginar por que este detalhe raramente vem à tona quando se discute a genialidade: muitos associam horas extra de sono à preguiça e acham que quem dorme menos trabalha mais. Trata-se, mais uma vez, da velha confusão entre quantidade e qualidade.


Niccolo Paganini

Os estudos de Ericsson apenas anteciparam o que a neurologia recentemente confirmou. Grosso modo, temos dois tipos de memória: uma de longo prazo (memórias de infância, como calcular o desvio-padrão, m antes de p e b) e outra de curto prazo (almocei abobrinha, estacionei do S1, tenho que comprar leite), armazenadas em diferentes áreas do cérebro.

De uma maneira geral a memória de curto prazo fica guardada inicialmente no hipocampo e depois, conforme o caso, é transferida para outras regiões como o lóbulo temporal, a amígdala ou o cerebelo, por exemplo.

Via de regra, estas transferências ocorrem quando você está dormindo, pois é quando o seu cérebro não está ocupado tentando evitar um acidente de carro enquanto você fala ao telefone dirigindo.

Se você anda se perguntando por que sua memória anda tão ruim ultimamente, provavelmente você acabou de encontrar a resposta: você está dormindo pouco. E, certamente, isso está impactando negativamente no seu trabalho – e em outras áreas da sua vida.

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Para saber mais:

Sleep is More Important than Food (Harvard Business Review, 03/03/2011)

Welcome to Your Brain: Why You Lose Your Car Keys but Never Forget How to Drive and Other Puzzles of Everyday Life (Bloomsburry, 2008)

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