Imagine: How Creativity Works – Jonah Lehrer

ATENÇÃO: depois da publicação deste texto, erros graves foram encontrados no livro levando, inclusive, ao seu recolhimento pela editora. Leia mais sobre o caso aqui: Traído pela ambição.

A moderna literatura corporativa está repleta de livros sobre Inovação e Empreendedorismo, dois conceitos intimamente ligados por seus elementos fundamentais: Criação e Execução. Muito já se escreveu, também, sobre o segundo elemento, mas quase nada sobre o primeiro. O pouco que há, ainda assim, trata o tema de forma meio mágica, mitológica, transcendental.

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Não é este o caso de Imagine: How Creativity Works (Houghton Mifflin Harcourt, 2012), no qual Jonah Lehrer oferece uma visão um tanto científica sobre Criatividade. Ciências, aliás, é a praia de Lehrer*, um jornalista especializado em traduzir jargões acadêmicos para um formato adequado a nós, leigos.

O livro reúne algumas das mais recentes descobertas acerca do processo criativo, muitas das quais, aliás, contradizem o que até agora tínhamos como verdade. Para tanto, o autor divide o livro em duas partes: na primeira ele aborda aspectos individuais da criatividade, enquanto que a segunda é dedicada às criações coletivas.

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A armadilha da minoria

Mindset: The New Psychology of Success, de Carol S. Dweck, é uma excepcional obra a respeito de como nossas impressões sobre nós mesmos podem influenciar nossa performance. Não se trata da velha receita de autoajuda, tão batida quanto mentirosa, que diz que se você se valorizar e acreditar em si mesmo, conseguirá tudo o que quer. Dweck, renomada psicóloga e pesquisadora, vai muito além desta farsa.

Seu trabalho apoia-se na forma como avaliamos nossas capacidades e, consequentemente, nosso aprendizado e progresso. Para ela, há dois tipos de mentalidades (mindsets): a fixa e a de crescimento. Na fixa, as pessoas acreditam que talento é inato: ou você nasce com ele, ou não. Já para os que têm a mentalidade de crescimento, talento é o resultado de trabalho duro e pode crescer indefinidamente – desde que você se empenhe.

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Durma!

Em Outliers, Malcolm Gladwell explica a teoria das 10.000 horas de Anders Ericsson, segundo a qual a pessoa se torna fora-de-série naquilo que faz depois de praticar sua arte durante este longo período de tempo. O estudo de Ericsson baseou-se no perfil de violinistas, identificando os verdadeiramente diferenciados entre os que ensaiavam exaustivamente.

Mas uma faceta menos badalada entre os top performers era que eles dormiam mais do que os outros – entre 8,5 e 9,0 horas por noite, além de meia hora de sesta durante o dia. É fácil imaginar por que este detalhe raramente vem à tona quando se discute a genialidade: muitos associam horas extra de sono à preguiça e acham que quem dorme menos trabalha mais. Trata-se, mais uma vez, da velha confusão entre quantidade e qualidade.

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Liderando pelo exemplo

Muitas empresas já passaram por penosos processos de cortes de custos. Independentemente do tamanho ou nacionalidade da companhia, invariavelmente há os que ficam com a sensação de que injustiças são cometidas.

Nada pior do que um discurso de austeridade contrastando com instalações nababescas no último andar, onde isola-se o CEO da empresa, com seu privativo banheiro de mármore e escrivaninhas de mogno. Por isso, por mais duras que sejam as medidas e impopulares as ordens, os líderes devem ser os primeiros a mostrar, clara e inequivocamente, que apoiam as decisões – e obedecem-nas.

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Pequenas vitórias, grandes mensagens

Todos nós temos acompanhado os acontecimentos recentes no Rio de Janeiro, torcendo pela vitória da polícia contra os traficantes de drogas. A cidade vive um momento único em sua história, talvez na melhor chance até hoje de derrotar um problema endêmico.

Desde a semana passada, a ofensiva vem conseguido êxito em suas iniciativas acumulando, deste modo, pequenas porém significativas vitórias.

Como explica John Kotter, em The Heart of Change, essas vitórias de curto prazo "alimentam a fé no esforço de mudança, recompensam emocionalmente os que trabalham duro, mantêm os críticos longe e criam ímpeto1".

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Analogias e Anomalias

Apesar de as pesquisas científicas serem conduzidas com grande rigor e método, vez ou outra algo foge ao controle no laboratório e o resultado é um desastre – ou uma inovação revolucionária.

Na Indústria Farmacêutica os casos mais célebres são a penicilina e o Viagra, mas outras drogas – como o lítio, por exemplo – também foram descobertos acidentalmente, assim como tratamentos inovadores – como a eletroconvulsoterapia.

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A urgência da urgência

Em tempos de crises, onde grandes mudanças precisam ser implementadas rapidamente, nada é mais urgente do que a própria urgência.

Alguns podem querer desenhar planos mirabolantes, outros ocupam-se em recrutar aliados de peso para sua empreitada. Mas sem o correto sentimento de que há pressa, muita pressa, a iniciativa corre o sério risco de ser inócua.

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