Nivelando expectativas
Entreouvi uma conversa no café da livraria esses dias (sim, eu faço isso!), na qual uma senhorinha contava à outra sua dificuldade em conseguir uma empregada doméstica.
"Ela quer receber R$ 1.500,00, INSS integral, entrar na segunda de manhã e sair na sexta à tarde. Imagina, vai fazer o que na minha casa? Eu sou sozinha..."
Não vou entrar no mérito de valores, benefícios nem carga horária, mas no descasamento das expectativas de ambos os lados.
Resumidamente, a relação entre patrões e empregados é uma venda: entrego trabalho e recebo dinheiro. Ou uma compra, dependendo do lado pelo qual se olhe. Aplica-se a ela, portanto, um princípio básico de Negociação: "o motivo pelo qual você vende, não necessariamente é o mesmo pelo que a outra parte compra".
A empregada quer vender a semana inteira - e não tem culpa de a patroa não precisar. A patroa não tem demanda para cinco dias de trabalho - e não tem culpa de a empregada só vender o pacote fechado. Como cada uma tem uma necessidade diferente, o acordo parece improvável.
Pois esta situação é muito mais comum do que se imagina. Patrões e empregados frequentemente têm expectativas diferentes, um em relação ao outro - e isto acaba gerando desentendimentos à toa.
Na próxima vez que você tiver um conflito com um funcionário (ou com seu chefe), tente entender, então, se a origem do problema pode estar na diferença de expectativa que cada um tem a respeito do outro.
Quando as parte esclarecem o que um espera do outro - e o que o outro tem condições de entregar - reduzem dramaticamente as chances de problemas.
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