Detalhar ou Improvisar?
Histórias de sobrevivência em condições extremas são ricas em lições de persistência e coragem que, guardadas as proporções, podem ser trazidas para o mundo corporativo.
We Die Alone: A WWII Epic of Escape and Endurance, de David Howarth, é um desses relatos: a fuga de um norueguês perseguido pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial.
Jan Baalsrud sobreviveu a uma emboscada onde todos os seus companheiros foram assassinados, nadou por águas gélidas, foi soterrado por uma avalanche, ficou temporariamente cego na neve e ainda amputou alguns de seus dedos dos pés com um canivete. Mas sobreviveu.
Sua missão, junto com outros três companheiros, era preparar a resistência norueguesa para missões de sabotagem das tropas alemãs baseadas no Mar Ártico. Num barco pesqueiro eles levariam os equipamentos necessários desde a Inglaterra e se misturariam à população local, recrutando voluntários e treinando-os.
O líder da missão, Sigurd Eskeland, é quem oferece a Dica da Semana:
"Neste tipo de expedição é inútil fazer um plano detalhado, porque ninguém pode prever exatamente o que vai acontecer. O líder sempre tem um nível de responsabilidade que poucas pessoas na guerra têm. As ordens eram dadas em termos gerais e, ao executá-las, ele não tinha ninguém para consultar*."
Por "este tipo de expedição" entenda-se uma empreitada com muitas incertezas, obstáculos desconhecidos, cenários em constante mudança.
Já vi empresas fazendo planos para os próximos cinco anos com precisão cirúrgica: percentuais tinham várias casas decimais e valores financeiros não dispensavam os centavos. Um trabalho tão minucioso quanto inútil, pois ao primeiro soluço do mercado todas as premissas iriam por terra, levando junto o detalhado planejamento.
Em vez de se esmerar tanto num plano de ficção, invista no improviso, na imaginação, na criatividade.
____________________
* On that sort of expedition it was useless to make a detailed plan, because nobody could foresee exactly what was going to happen. The leader always had a degree of responsibility which few people are called upon to carry in a war. The orders he was given were in very general terms, and in carrying them out he had nobody whatever to advise him. His success, and his own life and the lives of his party, were in his own hands alone.
O planejamento está mais para uma diretiva do que para um roteiro do que devemos fazer. Em negócios próprios, onde cada dia é totalmente diferente dos outros, o planejamento ajuda a manter o foco, mas jamais prever o que vai acontecer.
Rodolfo é sempre imbatível.
Enviado por: Aline | 23/02/2011 at 02:46 PM
Isso lembra bem o princípio geral do Agile Marketing: "Planeje o mínimo necessário e não o máximo possível."
Estratégia pra mim é muito mais sobre ter culhões do que analisar uma montanha de dados.
Enviado por: Rafael Rez Oliveira | 23/02/2011 at 02:18 PM